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Fuscas, Opalas e Dodge dos anos 70 desfilaram pela Ponte de Guaratuba num encontro que parou o Litoral

Tem coisa mais bonita do que ver um Fusca 1976, um Dodge Magnum 1979 e um Oldsmobile 1956 cruzando uma ponte que o Paraná esperou por mais de 60 anos? O 1º Encontro e Passeio de Carros Antigos e Motos Ponte de Guaratuba aconteceu no último sábado (23) e transformou o Litoral do Paraná num cenário que misturou nostalgia, emoção e um belo capítulo da história regional. Foram mais de 500 veículos percorrendo os 1,2 quilômetros da Ponte de Guaratuba, a mesma estrutura que encerrou de vez a era do ferry boat após décadas de espera.
O evento foi organizado pela Secretaria de Estado do Esporte do Paraná (SEES) com apoio do Viaje Paraná e das prefeituras de Guaratuba e Matinhos, e a proposta foi clara desde o início: celebrar a nova ponte e movimentar o turismo na região durante a baixa temporada.
Como foi o passeio pelos 20 quilômetros do Litoral
Os veículos partiram do Beach Club Águas Claras, em Matinhos, e seguiram em formato de desfile por cerca de 20 quilômetros até o Centro de Eventos de Guaratuba, onde ficaram expostos ao público. A travessia pela ponte foi o ponto alto do percurso, reunindo colecionadores, famílias e curiosos que queriam presenciar aquela cena de perto.
A programação incluiu shows musicais organizados pela prefeitura e uma praça de alimentação com food trucks instalada ao longo do trajeto. O encontro também teve caráter social: os participantes doaram alimentos destinados às unidades da Apae de Matinhos e de Guaratuba, sendo que a praça de alimentação do evento foi explorada diretamente pela Apae de Guaratuba, que atende mais de 140 crianças.
As histórias por trás dos carros que desceram a Serra
Quem foi até Guaratuba não foi só para desfilar. Foi para contar uma história. O comerciante César Botelho, 54 anos, desceu de Curitiba com a família no seu Oldsmobile 1956, um carro que ele acompanhava de longe desde os 16 anos, estacionado na frente de uma casa no bairro onde cresceu. “Sempre pensei: ainda vou comprar um como esse. Deu certo comprar dessa família”, contou. O veículo está em processo de restauração, sendo levado o mais próximo possível das especificações originais.
Para César, a paixão pelo antigomobilismo vem das histórias contadas pelos avós e pelos pais, de viagens pelo Paraná em carros que desbravavam estradas de terra. “Eram carros resistentes. Além disso, temos uma oficina, então já está no sangue”, disse. Ele também celebrou a inauguração da ponte com um olhar direto: “A ponte já era para existir há mais de 50 anos. É muito legal promoverem esse evento para os carros antigos.”
A servidora pública Luciana de Paula, 40 anos, também veio da capital com seu Dodge Magnum 1979, um carro que herdou do pai após seu falecimento durante a pandemia. O motor segue completamente original. “Sempre participamos desses passeios em família, já temos uma grande história com esse carro, de mais de 30 anos”, lembrou.
Para ela, cruzar a Ponte de Guaratuba com o Dodge foi um momento que entrou para a memória afetiva de forma definitiva. “Quando estivermos bem velhinhos, vamos contar essa história para os outros, de que passamos pela ponte com os nossos antigos.”
O Fusquinha que não podia ficar de fora
Encontro de carro antigo sem Fusca seria incompleto. O professor universitário Marcelo Staff, 59 anos, levou seu Fusca 1976 1600, uma das versões mais raras do modelo, que há 10 anos pertence à família. “Meu primeiro carro foi um Fusca, em 1984. Como dizem, o primeiro amor é o que fica”, contou. Ao lado dele, a esposa Adriana Staff, 52 anos, também professora, conectou o passeio às memórias da infância. “Passeávamos de Fusca, Opala, Brasília. Isso me faz voltar um pouco para a infância.”
Marcelo guardou uma frase certeira para o encerramento do dia: “A ponte foi esperada por muito tempo e agora ela está aí. Parece um sonho e nós vamos atravessar com o Fusquinha. Ainda bem que ele teve essa oportunidade de passar pela ponte, porque muitos não tiveram.”
Veículos históricos do próprio Governo do Paraná também integraram o desfile, incluindo um Fusca e um Opala da Polícia Militar do Paraná (PMPR), reforçando o caráter comemorativo do evento.
Muito além da nostalgia
O diretor de Infraestrutura Esportiva da SEES, Rogério Bufrem Riva, destacou a receptividade dos colecionadores e adiantou que a pergunta mais ouvida no evento foi sobre a data do próximo encontro. “Escutei esses dias que ‘esses carros tinham que ter passado na ponte quando saíram da fábrica, não 50 anos depois’. Estamos contentes com a receptividade”, afirmou.
O diretor-presidente do Viaje Paraná, Irapuan Cortes, reforçou que a iniciativa vai além de um evento pontual. “O Viaje Paraná entendeu isso e está apoiando o evento para que não seja algo único, que aconteça outros eventos não só aqui em Matinhos e Guaratuba, mas em todo o litoral paranaense.”
O prefeito de Guaratuba, Maurício Lense, celebrou o movimento gerado na cidade. “Hoje é o de carros antigos e motos, atraindo um grande público e famílias para a cidade. Hotéis, pousadas, restaurantes, enfim, todo mundo ganha”, resumiu. A estratégia é clara: reduzir a sazonalidade extrema do litoral, que concentra o grosso do movimento nos meses de verão e enfrenta períodos de baixa acentuada no restante do ano.
O turismo de antigomobilismo tem crescido no Brasil como um segmento consistente, capaz de movimentar colecionadores, clubes e famílias inteiras em torno de eventos que combinam patrimônio, cultura e afeto. Guaratuba deu o primeiro passo. E pelos sinais que o sábado deixou, certamente não vai ser o último.Compartilhar
Fonte/Fotos: Ricardo Zanoncini/AEN